Radiação UVA atravessa nuvens e continua ativa durante o inverno; especialistas alertam que a exposição acumulada sem proteção é uma das principais causas de envelhecimento precoce e câncer de pele no Brasil

O termômetro cai, o dia amanhece nublado, e o protetor solar fica para trás na prateleira. O raciocínio parece lógico: sem sol forte, sem proteção necessária. Mas especialistas alertam que essa lógica tem um custo que a pele cobra anos depois.

A radiação ultravioleta tipo A, conhecida como UVA, está presente independentemente da temperatura ou da nebulosidade. Ao contrário da UVB — responsável pela queimadura solar —, a UVA penetra profundamente nas camadas da pele e atua de forma silenciosa. “É esse tipo de radiação o principal responsável pelo envelhecimento precoce”, explica a dermatologista Vanessa Perusso.

O problema, segundo os especialistas, não está em um dia específico de descuido, mas na soma de pequenas exposições sem proteção ao longo dos anos: o percurso até a escola das crianças, a janela do escritório, a caminhada até o carro. Cada uma dessas situações representa exposição real à radiação UVA e, sem protetor, o dano se acumula.

Envelhecimento da pele não é uma questão de intensidade solar, é de constância. É por isso que dermatologistas recomendam o uso diário do protetor, verão ou inverno.

Vitamina D: o argumento que não segura

Um dos motivos mais citados para evitar o protetor solar é o medo de prejudicar a produção de vitamina D. O oncologista Rodrigo Villarroel, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), desmonta o argumento com dados: cerca de 10 minutos diários de exposição solar, com mãos e rosto descobertos, são suficientes para a síntese de vitamina D na maioria das pessoas.

“Abrir mão do protetor solar por receio de deficiência de vitamina D não é uma troca recomendada clinicamente”, afirma Villarroel. A Sociedade Brasileira de Dermatologia também reforça que o câncer de pele, o tipo mais comum no Brasil, tem como principal causa justamente a exposição acumulada à radiação UV sem proteção.

Pele ressecada é pele mais vulnerável

O inverno traz um agravante para quem já tende a ter a pele seca: o ar frio e seco fragiliza a barreira cutânea, deixando a pele mais suscetível a danos externos, incluindo poluição e radiação. Nesse cenário, os cuidados precisam ser redobrados, não reduzidos.

Hidratar cuida da pele que você vê. O protetor protege a pele que você vai ter!

Como encaixar o protetor na rotina do dia a dia

Para quem tem a agenda cheia, tipo as das mulheres, com trabalho, filhos, compromissos, a boa notícia é que não é preciso elaborar uma rotina complexa. A médica dermatologista indica uma ordem simples:

Limpeza → hidratação → protetor solar → maquiagem

O protetor é sempre o último passo do skincare e o primeiro antes da make. Uma alternativa prática para quem usa base: optar por um protetor com cor, que cumpre as duas funções ao mesmo tempo.

Para quem quer sair do automático e garantir que a proteção vire hábito de verdade, os especialistas listam os pontos essenciais:

  • Use FPS mínimo 30 todos os dias, independentemente do clima;
  • Aplique sempre após o hidratante, antes da maquiagem;
  • Em exposições mais longas ao ambiente externo, a reaplicação é recomendada;
  • Protetor com cor pode substituir a base em dias mais corridos;
  • Pele ressecada no inverno precisa de hidratante e protetor: um não substitui o outro.

Passar protetor solar num dia frio pode parecer detalhe. Mas é exatamente esse tipo de hábito contínuo que faz diferença — na saúde da pele agora e na aparência dela daqui a dez anos.

Se esse texto fez sentido para você, manda para aquela amiga que sempre esquece o protetor no inverno. Às vezes, um lembrete vindo de quem a gente gosta é o que faz o hábito finalmente pegar.

Deixe nos comentários: você usa protetor solar no inverno?